<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979</id><updated>2012-02-16T00:00:55.698-08:00</updated><title type='text'>A mercê do desinteresse alheio.</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>19</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-3156717704170389031</id><published>2010-12-16T15:14:00.000-08:00</published><updated>2010-12-16T17:00:30.232-08:00</updated><title type='text'>Ridículo amor</title><content type='html'>O melhor do namoro, claro, é o ridículo. Mas o Waldecyr passara dos limites. Chegara  a um extremo do ridículo. Chegara a uma apoteose do ridículo. Ou como você chamaria ter que imitar um cachorro para não descobrirem que era ele no quintal, louco de ciúme, embaixo da janela da namorada, numa noite de julho? O Waldecyr exagerara. O Waldecyr, que Sharlenne chamava de Ipsilone porque aquela fora a primeira coisa que ele lhe dissera:&lt;div&gt;- Ipsilone&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Hein?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Waldecyr. É com ipsilone.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela estava preenchendo um formulário para dar entada no seu pedido, algo a ver com um crediário, não interessa, e precisava de todos o seus dados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Estado civil?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Solteiríssimo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Daí pra pergunta " Que horas tu larga?" e o convite para tomarem um chope foi um pulo , e do chope para o namoro firme foi outro. Sharlenne ouvia cantadas e convites o dia inteiro, mas não era dessas, mas simpatizara com o Waldecyr. O Waldecyr não parecia ser como os outros. E o ipsilone, sei lá. O nome dele lhe dava uma certa segurança.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Desliga você&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Não, desliga você&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Você.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Então vamos desligar juntos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tá. Conta até três&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Um...Dois...Dois e meio...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ridículo porque não era você. Ou era você, e só agora, visto desta distância, ficou ridículo. Porque na hora não era não. Na hora, nem os apelidos secretos que vocês tinhas um para o outro. Lembra? Eram ridículos. Ipsilone. Sharllenuca. Walzanzão. Sharussuzuca. Congonha (Congonha!)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mimosa. Purupupuca.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não havia coisa melhor do que passar tardes inteiras num sofá, olho no olho dizendo, dizendo:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- A dondozeira ama o dondozeiro?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ama&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas o dondozeiro ama a dondozeira muito mais que a dondozeira ama o dondozeiro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Na -na- não. A dondozeira ama o dondozeiro mais do que, etc.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E,  entretanto o diálogo, longos beijos, profundos beijos, beijos mais do que de lingua, beijos de amígdalas, beijos catetéricos. Tardes inteiras.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Confesse: ridículo só porque nunca mais. Depois do ridículo, o melhor dos namoros são as brigas. Aconteceu com o Ipsilone e a Sharlenne. Brigaram e brigaram feio. Várias vezes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aí ela ligava para ele, e não dizia nada, e ele:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu sei que é você. Está me controlando, é? O que é? Se arrependeu?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ou ele ligava para ela, e assim que ela atendia, desligava.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quem diz que nunca, como quem não quer nada, arquitetou um encontro de casal com a ex só para ver e ignorar, ou para dar um abano amistoso querendo dizer que ela ou ele significa tão pouco que poder até ser amigos, está mentindo. Está mentindo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o melhor das brigas são as reconciliações. Beijos ainda mais profundos, apelidos ainda mais lamentáveis, vistos de longe. A gente brigava mesmo era para se reconciliar depois, lembra?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Oito entre dez casais namorados transam pela primeira vez fazendo as pazes. O IBGE tem estatísticas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na última briga deles, Sharlenne conseguiu fazer chegar aos ouvidos do Waldecyr que estava saindo com outro. Um colega de trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o Waldecyr fez a coisa mais sensata, o que qualquer um de nós faria. Passou a espionar Sharlenne escondido. Começou a faltar suas aulas de especialização em ciências contábeis às 6 para ficar atrás de uma carrocinha de pipoca, vendo se a Sharlenne saía do trabalho com outro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Rondava a casa de Sharlenne. Uma noite, uma sexta feira, pensou ver a Sharlenne entrar em casa com um homem - e não viu o homem sair da casa. Quatro da manã e o Waldecyr abraçado a uma árvore, tremendo de frio, de olho fixo na porta. Todas as luzes da casa apagadas e o Waldecyr pensando, quase chorando: Não pode ser, não pode ser. Como que o seu Amorim e a dona Laurita deixam? Eu. Eles me botavam  na rua às onze e meia. O outro, deixam dormir com a Sharlenne na sua própria cama. Porque Sharlenne só podia estar na cama com outro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aquela hora, não poderiam estar mais no sofá, ela chamado ele de Dondozeiro. Ou podia? Não podia. Podia mas não podia, o Waldecyr não se aguentou, pulou a cerca, se agachou sob a janela de Sharlenne, bateu o joelho em alguma coisa, gritou, e quando o seu Amorim apareceu na porta dos fundos e perguntou " Quem está aí?" tentou imitar um cachorro. Não convenceu ninguém, claro, tanto que, dez minutos depois, estava sentando na mesa da cozinha, tiritanto, as calças sujas de barro, tomando café com a dona Laurita com uma das mãos, e o outro braço  em volta da cintura da Sharlenne. Sim, reconciliados, abraçados e emocionados. Pois Sharlenne se enternecera com ciúmes do seu ipsilonezinho. Não havia nenhum outro. Ela fora à farmácia com o pai, o homem que ele a vira entrar na casa  com ela era o seu Amorim, bobo! Mas o que eu realmente conquistara Sharlenne foi o ganido do Waldecyr, tentando imitar um cachorro. Só um homem muito apaixonado faria um ridículo daqueles. Em dois meses, estavam casados.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Até hoje a Sharlenne conta a história do Waldecyr ganindo no quintal, por mais que ela peça para ela não contar. As crianças já cansaram de ouvir a história, os amigos ouvem um pouco sem jeito. E a Sharlenne e o Waldecyr não se tratam mais por apelidos. Quando fala nele, ela diz " Esse aí". Mas que foi bom, isso foi.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-3156717704170389031?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/3156717704170389031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=3156717704170389031' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/3156717704170389031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/3156717704170389031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2010/12/namorados.html' title='Ridículo amor'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-2263483023462557503</id><published>2010-07-16T14:58:00.000-07:00</published><updated>2010-07-16T17:44:34.943-07:00</updated><title type='text'>Labirinto de teclas</title><content type='html'>Cai a energia. Quando volta, descubro que o relógio do meu som está piscando em um eterno meio-dia. Abro o manual de instruções, em espanhol, inglês. francês, italiano e japonês. Aperto as teclas indicadas. O relógio continua piscando, mas surge um sinal vermelho na tela. Horrorizo-me. Minha experiência com o vídeo diz que, quando surge algum sinal desconhecido, é melhor chorar.&lt;br /&gt;Atiro-me em todas as teclas do aparelho. Entra na rádio FM.&lt;br /&gt;Sutitamente, o relógio pula para as 9 da noite. São 8. Aceito o destino. Se a energia não cair novamente até o horário de verão, tudo dará certo.&lt;br /&gt;Diante de certos aparelhos modernos, sinto- me como uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pithecanthopus pré-eretus&lt;/span&gt;. Todos possuem mil funcões. A maior parte do tempo, consigo usar apenas uma. A mais óbvia, é claro!&lt;br /&gt;Outro dia, uma amiga procurou salvação, justo comigo. Apareceu com um pacote de manuais e vários saquinhos plásticos contendo pazinhas dos mais diversos formatos.&lt;br /&gt;▬ Quero que você me ajude a descobrir como usar as pazinhas.&lt;br /&gt;Peguei na primeira. Era parecida com a do meu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mixer&lt;/span&gt;, a única que conhecia.&lt;br /&gt;▬ Esta é para bater massas ▬ expliquei sabiamente&lt;br /&gt;Resolvemos fazer a experiência. Corremos para o livro de receitas, escolhemos um pão-de-ló sofisticado. (Por que facilitas, afinal?) Botamos os ovos, a farinha, o açúcar e o leite. Ai encaixamos as pazinhas. Fechamos o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mixer &lt;/span&gt;e apertamos o botão indicado.&lt;br /&gt;Silêncio absoluto. Apertamos de novo. Mais silêncio.&lt;br /&gt;▬ A tampa está mal encaixada. Se não estiver no lugar certo, não funciona ▬ deduzi.&lt;br /&gt;Torcemos a tampa de todas as maneiras. A cada torcida, revirávamos juntos, a cintura, os braços e a cabeça. Meu queixo encostou na costela. Ao me refazer, apertei a toda.&lt;br /&gt;Zummmmmm!&lt;br /&gt;▬ Tem uma fumacinha saindo da massa! ▬ gritou a jovem. Tirei o fio da tomada. Abri o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mixer&lt;/span&gt;. O cano da painha estava pegando fogo. A razão: mau encaixe. A farinha continuava farinha, as gemeas, gemas, o açúcar...enfim, uma tragédia. Nosso erro: a pazinha devia ter sido colocada antes dos ingredientes. O esforço para girar quase detonara o aparelho. Foi preciso tirar  farinha, gemas, etc., com todo cuidado, reencaixar a pazinha, botar tudo de novo e ...zummmmmmm!&lt;br /&gt;Mais tarde, para abrir o bolo foi preciso um martelo.&lt;br /&gt;Das outras pazinhas, desistimos.&lt;br /&gt;E a televisão? Hoje, um controle remoto tem tantos comandos quanto um helicóptero.&lt;br /&gt;▬ A imagem está vermelha&lt;br /&gt;▬ Deixa assim, eu lhe imploro!&lt;br /&gt;▬ Bobagem.&lt;br /&gt;Meu visitante aperta algumas teclas do controle. A tela fica preta. Outra, e a imagem se torna estática. Ele começa a apertar todas, enfurecido, tentando deslindar o enigma de alguns símbolos colocados sobre cada uma. Na TV, os atores ficavam azuis, verdes, roxos. Suspiro e abro um livro.&lt;br /&gt;Terríveis são as agendas eletrônicas. Menores que um maço de cigarro, podem armazenar toda uma vida. Um comando, ela arquiva todos os telefones possíveis. Outro, ele organiza a agenda para os próximos meses. Mais um, para um arquivo secreto ( tão secreto que jamais consegui acessar). Podem levar qualquer um à loucura. Aconteceu com um amigo meu, diretor de televisão. Estava mostrando a agenda, recente aquisição, para uma produtora. Nela, todos os telefones dos astros e estrelas brasileiros. A amiga, entusiasmada:&lt;br /&gt;▬ Deixa ver?&lt;br /&gt;Apertou duas inocentes teclinhas e zap! Tudo se apagou para sempre. Nunca conseguiram recuperar. O diretor a produtora não se falam até hoje.&lt;br /&gt;Pior foi o cunhado de um amigo meu. Pegou o controle remoto da televisão e discou pra mãe. Ficoi estarrecido , sem entender por que os canais pulavam de um para o outro e a mãe não atendia.&lt;br /&gt;É o que eu digo: tenho saudades do tempo em que todos os aparelhos eram simplesm como um liquidificador. Bastava apertar uma tecla, apenas uma, e tomava a vitamina.&lt;br /&gt;Sem a sensação incômoda de estar perdendo alguma coisa.&lt;br /&gt;Ou de desconhecer instruções e teclas que facilitariam minha vida!&lt;br /&gt;&lt;h3 class="smller" style="font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-2263483023462557503?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/2263483023462557503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=2263483023462557503' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/2263483023462557503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/2263483023462557503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2010/07/labirinto-de-teclas.html' title='Labirinto de teclas'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-4283401560078162851</id><published>2010-06-06T15:43:00.000-07:00</published><updated>2010-07-26T22:24:32.991-07:00</updated><title type='text'>Irmãos*</title><content type='html'>▬ De vem em quando eu penso neles.&lt;br /&gt;▬ Quem?&lt;br /&gt;▬ Nos espermatozóides.&lt;br /&gt;▬ De vem quando você pensa que somos seus espermatozóides?&lt;br /&gt;▬ Não nos meus, não. Nos do meu pai&lt;br /&gt;▬ Você tá bêbado.&lt;br /&gt;▬ Na noite que eu fui concebido ▬ suponho que tenha sido uma noite ▬ eu era um entre milhões de espermatozóides. Mas só eu cheguei no óvulo da minha mãe. Ou será bilhões?&lt;br /&gt;▬ Acho que é óvulo mesmo.&lt;br /&gt;▬ Não. Os espermatozóides. É milhões ou bilhões?&lt;br /&gt;▬ Ah...não sei.&lt;br /&gt;▬ Não importa. Milhões, bilhões. Só eu me criei, entende? Por acaso. Isto é o mais assombroso. A gratuidade da coisa. Havia milhões, bilhões de espermatozóides junto comigo e só eu, entende? Só eu fecundei o óvulo. Não é assombroso?&lt;br /&gt;▬ É.&lt;br /&gt;▬ Você acha mesmo?&lt;br /&gt;▬ Acho.&lt;br /&gt;▬ Poderia ser qualquer um, mas fui eu. Por acaso.&lt;br /&gt;▬ Amendoim?&lt;br /&gt;▬ Hein? Obrigado. Agora, me diga. Por que eu? A gratuidade da coisa. Só eu fecundei o óvulo, virei feto, nasci, me criei e estou aqui, neste bar, de gravata, bebendo. Agora me diga, o que é isso?&lt;br /&gt;▬ É como você diz. A gratuidade da coisa.&lt;br /&gt;▬ Não, não. Isso que estou bebendo.&lt;br /&gt;▬ É, ahn, uísque.&lt;br /&gt;▬ Uísque. Pois não. Aí está.&lt;br /&gt;▬ Ô Moacyr, vê outro aqui. O rapaz tá precisando.&lt;br /&gt;▬ Um brinde!&lt;br /&gt;▬ Um brinde.&lt;br /&gt;▬ A eles!&lt;br /&gt;▬ Quem?&lt;br /&gt;▬ Aos espermatozóides que não chegaram ao óvulo da mamãe. Aos companheiros. Aos bravos que cumpriram sua missão e não viveram para comemorar. Aos que perderam a viagem. Aos meus irmãos!&lt;br /&gt;▬ Aos meus irmãos!&lt;br /&gt;▬ &lt;em&gt;Meus &lt;/em&gt;irmãos, você não estava lá.&lt;br /&gt;▬ Aos seus irmãos!&lt;br /&gt;▬ Aos milhões, bilhões que se sacrificaram para que eu pudesse viver.&lt;br /&gt;▬ Salve.&lt;br /&gt;▬ Agora me diga uma coisa.&lt;br /&gt;▬ Duas. Digo duas.&lt;br /&gt;▬ Cada espermatozóide é uma pessoa diferente, certo?&lt;br /&gt;Quer dizer. Em outras palavras. Se o outro espermatozóide tivesse completado a viagem, não seria eu aqui. Ou seria?&lt;br /&gt;▬ Depende.&lt;br /&gt;▬ Não seria. Seria outra pessoa. Outro nariz, outras idéias. Talvez até torcesse pelo América. Uma mulher! Poderia ser uma mulher, certo?&lt;br /&gt;▬ Nõa vamos exagerar.&lt;br /&gt;▬ Então, imagine o seguinte. Pense bem. Amendoim.&lt;br /&gt;▬ Amendoim. Estou pensando nele. Amendoim.&lt;br /&gt;▬ Não. Me passe o amendoim e pense no seguinte. Se entre os espermatozóides que me acompanharam, e que não chegaram ao óvulo, estava o cara que eua descobrir a cura do câncer? Hein? Hein?&lt;br /&gt;▬ Certo.&lt;br /&gt;▬ Mas, em vez dele, eu é que cheguei. Por acaso. Ou poderia ser uma mulher. Uma soprano de fama internacional. Em vez disso, deu eu. Veja a minha responsabilidade.&lt;br /&gt;▬ Acho que você está sendo radical.&lt;br /&gt;▬ Não. Imagine se, em ver do espermatozóide que se transformou no Jânio Quadros, tivesse dado outro. A história do Brasil ia ser completamente diferente! É ou não é?&lt;br /&gt;▬ Mais ou menos.&lt;br /&gt;▬ Pois então. Eu me sinto culpado, entende? Acho que eu deveria, sei lá. Ter feito mais da minhan vida. Em honra a eles. Eu estou representando milhões, bilhões de espermatozóides, cada um uma pessoa em potencial. E o que é que eu fiz da minha vida?&lt;br /&gt;▬ E se fosse um bandido?&lt;br /&gt;▬ Como?&lt;br /&gt;▬ Se, em vez de você, o espermatozóide que tivesse dado certo fosse um assassino, um mau-caratér. Não quero falar dos espermatozóides do seu pai, mas num desse grupo de milhões sempre tem uma ovelha estragada. Uma maça negra. Estatisticamente falando.&lt;br /&gt;▬ Você acha mesmo?&lt;br /&gt;▬ Acho.&lt;br /&gt;▬ E outra coisa. O que passou, passou. Não pense mais nisso.&lt;br /&gt;▬ Mas eu penso. De vez em quando eu penso. Os meus irmãos que não nasceram. Que nome teriam?&lt;br /&gt;Eduardo, Gilson, Amaury, Jéssica...&lt;br /&gt;▬ Marco Antônio...&lt;br /&gt;▬ Marco Antônio...Imagine, um deles podia ser o ponta-direita do Brasil em 74. Eu me sinto culpado. Você não se sente culpada?&lt;br /&gt;▬ Bom, meu pai tem doze irmãos.&lt;br /&gt;▬ Aí é diferente.&lt;br /&gt;▬ Por quê?&lt;br /&gt;▬ Não sei. Só sei que entre milhões, bilhões de espermatozóides, todos com o mesmo direito, só eu me criei.&lt;br /&gt;Por acaso. Agora me diga, o que é isso?&lt;br /&gt;▬ É uísque.&lt;br /&gt;▬ Não. A gratuidade das coisas.&lt;br /&gt;▬ Não sei...&lt;br /&gt;▬ Você está bêbado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Dedicado a Fabricio Reis e Yuri Gama&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-4283401560078162851?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/4283401560078162851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=4283401560078162851' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/4283401560078162851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/4283401560078162851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2010/06/irmaos.html' title='Irmãos*'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-5472215470361812935</id><published>2010-05-23T19:15:00.000-07:00</published><updated>2010-05-23T20:21:22.494-07:00</updated><title type='text'>A arte do assalto</title><content type='html'>Saio da padaria e ando rapidamente até o carro. Quero chegar cedo em casa antes passar meu filme favorito no telecine cult. Eles se aproximam quando eu abro a porta. Percebo imediatamente que não perderei apenas o filmezinho cult mas também o carro. Já estou suficientemente treinada para entrgar as chaves antes que falem qualquer coisa. Olho para os dois, mantenho a minha digníssima calma e digo:&lt;br /&gt;▬ Tu-tu-do be-bem!&lt;br /&gt;Sou obrigada a ir no banco ao lado. Indico o caminho que leva diretamente à periferia. Ofereço pãezinhos:&lt;br /&gt;▬ Aproveitem, estão quentinhos.&lt;br /&gt;Eles me olham, simpáticos. Faço tudo para que o clima seja o mais agradável possível. Tento contar uma piada, mas ninguém ri. Sou deixada num viaduto. Gentis, eles garantem que só querem o veículo para uma fuga.&lt;br /&gt;Poderei encontrá-los no outro dia. Levam os pãezinhos. Quando se vão, respiro fundo. Vitória! Os ladrões ficaram satisfeitos. Nunca mais achei o carro, mas fui elogiada por todos os amigos porque me comportei bem. É uma loucura.&lt;br /&gt;A rapinagem está atraindo tal número de meliantes em inicio de carreia que o asssalto é quem deve administrar o roubo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma amiga minha, psicóloga, foi retirar dinheiro num caixa automático de uma avenida importante. Início de noite, local tinha movimento. Ao sair, abriu cordialmente a porta para um adolescente bem vestido que esperava. Era o assaltante . Empurrada para dentro por ele e um comparsa, foi obrigada a conduzir o assalto contra ela mesma. Ensinou os dois a usar o cartão magnético e tentou acalmá-los, porque estavam nervosos. Depois explicou que entendia a situação e não tinha nada contra o fato de ser roubada, algo tão normal atualmente. Até avisou:&lt;br /&gt;▬ Escondam o revólver que a polícia tá passando.&lt;br /&gt;Tornou- se a cúmplice perfeita. Discordou da idéia de irem embora à pé. M0strou onde tinha um estacionamento. Em compensação, negociou o dinheiro do taxi.&lt;br /&gt;E quando a casa é invadida? Um casal que conheço foi mestre na arte de receber diante das escopetas.&lt;br /&gt;▬ Querem um café enquanto meu marido abre o cofre? Ou preferem uma refeição? - ela ofereceu.&lt;br /&gt;Um deles quis uísque. O marido sugeriu:&lt;br /&gt;▬ Meu filho, não beba. Você vai fugir, a rua tem policiamento. É arriscado. Leve a garrafa.&lt;br /&gt;O líder aceitou o palpite e pediu bifes. Ao mesmo tempo em que os dois rapazes acompanhavam o proprietário em busca de valores, a mocinha de expressão selvagem foi à cozinha com o &lt;em&gt;hostess.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Depois de séculos longe das panelas, esta fez um jantar sofisticado. Serviu na mesa de jacarandá. O casal comeu junto. A certa alturam, ela comentou, charmosa:&lt;br /&gt;▬ Desculpem, foi só um cardápio rápido. Se pudesse, teria feito uma receitinha francesa que vocês iam amar. Mas leva tempo. Quem sabe...&lt;br /&gt;Todos se olharam. Quem sabe uma outra vez, ela quis dizer? Os da rapina ficaram constrangidos. Um deles foi delicado:&lt;br /&gt;▬ Não esquenta, dona. Tá muito bão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despediram - se cortesmente. Só conheço um caso que terminou em violência. Foi com um amigo da esquerda radical. Ao ser travado, não só se deixou depenar com leveza como ainda quis conscientizar o gatuno:&lt;br /&gt;▬ É isso aí, companheiro. Estou do seu lado, porque sei o que é a crise e do desemprego. Mas você tem que entender que a expropriação dentro de uma perspectiva mais ampla.&lt;br /&gt;Levou um tapa. É raro.&lt;br /&gt;Dia desses, um executivo recebeu um telefonema:&lt;br /&gt;▬ Alô? Aqui é o rapaz que levou o seu carro e sua carteira.&lt;br /&gt;▬ Oba! Como vai?&lt;br /&gt;Tudo certo, tio. Queria apenas avisar que vou devolver seus documentos pelo correio. Olha, desculpa o contra tempo, mas sei que o seguro cobre o monza. É minha profissão. Você entende.&lt;br /&gt;▬ Puxa, é claro. Boa sorte, hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo de podre neste reino, mas não imagino sequer como resolver. Só me resta, como Hamlet, olhar para uma caveira e reclamar para fantasmas. Ou então, na próxima vez, mirar firme o safado e partir pra prática:&lt;br /&gt;▬ Sinto muito, mas o senhor está fazendo tudo errado. Passa a arma. Pronto. Agora, a grana. De assaltos eu entendo mais que você!&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-5472215470361812935?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/5472215470361812935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=5472215470361812935' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/5472215470361812935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/5472215470361812935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2010/05/arte-do-assalto.html' title='A arte do assalto'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-5164533682061033263</id><published>2010-02-07T18:03:00.000-08:00</published><updated>2010-02-08T14:17:54.181-08:00</updated><title type='text'>Cheque em xeque</title><content type='html'>O país anda tão desconfiado, mas tão desconfiado, que todos nós viramos suspeitos. Cada cheque é uma CPI particular. O vendedor, por mais amigável que tenha sido, lança um olhor de suspeita. E pergunta a primeira coisa que vem à cabeça.&lt;br /&gt;- É do Rio?&lt;br /&gt;- Não, de Hong Kong.&lt;br /&gt;Enquanto ele decide se sorri ou me morde, atiro o cheque no balcão e fujo com as compras.&lt;br /&gt;É duro falar em geral, quando nem todos são assim.&lt;br /&gt;Acabo injustiçando centenas de pessoas simpáticas que já me atenderam nos balções sem me matar como uma filha de mafiosos.&lt;br /&gt;Mas também sou injustiçada. Sei que a crise, a falta de ética e a corrupção escorregam sobre nossas vidas, precipitando desconfianças. O pior é que todas as exigências não adiantam nada, e se o portador do cheque estiver interessados em dar o golpe.&lt;br /&gt;Pedem a carteira de identidade. Ofereço a minha , com uma linda foto em que eu apareço esbelta, com os cabelos cobrindo as orelhas de rato e uma franja sobre os óculos. Algo como uma versão década de 60 de um cachorro lulu.&lt;br /&gt;Sou eu mesma, mas só os parentes sabem. A vendedora me olha, conferindo. Ou filosofando sobre a passagem do tempo, não sei.. Sorri, como se tivesse me reconhecido, o que sei ser impossível. Sorrio de volta, com ar de respeito, e até uma emoção. Serei eu mesmo?&lt;br /&gt;Ai, ela compara a assinatura. Acontece que eu tenho prazer de falsificar minha própria assinatura. De raiva. Às vezes boto só um rabisco. Pois a vendedora confere e aceita.&lt;br /&gt;Também pedem o telefone e o endereço. Outro dia,  desabei na quitanda de uma coreana. Recém-chegada. Comprei um maço de rabanetes, um quilo de batatas e uma dúzia de bananas. Peguei o cheque. Ela estreitou os olhinhos. Expliquei que era especial. As pestanas , dois riscos irritados. Ela olhou o cheque, virado de cabeça pra baixo. Chamou um ajudante, tipo nordestino. Resmungaram entre si, em que lingua eu não sei. Ele explicou:&lt;br /&gt;- Ela aceita só se a senhora virar freguês.&lt;br /&gt;Quase me ajoelhei. Ia gente em casa, e aquelas batatas eram a diferença entre ser dama ou uma cafona. Prometi passar lá todos os dias os dias, quem sabe até ser sócia. O rapaz tentou soletar meu nome. Empacou o I. Quase sufocou. Cantei alegremente todas as letras. Ele pediu tudo, até o endereço da mãe. Escrevi no verso do cheque: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pirulito que bate bate/Pirulito que já bateu/Quem gosta de mim é ela/ Quem gostar dela sou eu.&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Aceitaram. Até hoje não sei como o banco pagou.&lt;br /&gt;Pode até parecer piada, mas é sofrimento. Faz pouco tempo, estive em um hipermercado de uma rede que está em todo país. Fiz o cheque. A caixa apertou um botão, acendeu uma luzinha. Explicou que precisava conferir. Esperei meia hora. Ninguém apareceu. Pedi licença, fui reclamar. A moça do balcão de atendimento rosnou:&lt;br /&gt;- Não adianta reclamar.&lt;br /&gt;Chamei o gerente, briguei. Demorou mais meia hora, aliás para garantir meu cheque, já chamei a polícia. Estava  em um restaurante chinês, com a minha amiga. Depois de me conciliar com alguns camarõezinhos empanados, pedi a conta. Fiz o cheque, o garçom explicou:&lt;br /&gt;- Não aceitamos.&lt;br /&gt;- E porque não me avisam antes?&lt;br /&gt;Ele me mostrou um cartaz na parede. Iludida pelo molho de ostras, não havia visto. Expliquei que não tinha dinheiro. Ele correu ao caixa. Vi um chinês velho abanando a cabeça com um leque. O garçon voltou e eu disse, claramente:&lt;br /&gt;- Chame a polícia.&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;- Chame a polícia. Quero pagar, vocês não querem receber. Chame.&lt;br /&gt;Foi um bafafá. Um jovem veio correndo da cozinha. Pensei que ia me soterrar com um prato de sopa de tubarão, tal a fúria. Repeti o pedido, gentil: queria a policia. Aceitaram o cheque, com suspiros e nervosismos. Houve um momento em que a pareciam tentados a me transformar em uma leitoa agridoce.&lt;br /&gt;Bilheteria de um show ou treatro, nem se fala. Alguns teatros grande já chegara a exigir avalista e fazer consulta telefônica para verder ingressos.&lt;br /&gt;Outra ficcção é o cheque pré-datado. Há quem faça propaganda  que aceita. Mas sei lá por conta do raciocínio melodramático, o governo proíbe. Todo mundo dá, mas não existe. Resultado: boa parte das vezes em que caí na história, depositaram depois. Foi o caso de uma loja de tapetes, ávida como um paxá. Liguei reclamando. Ouvi:&lt;br /&gt;- Foi erro da mocinha.&lt;br /&gt;- Poderiam devolver, a troco do outro cheque?&lt;br /&gt;- Impossível. Já foi contabilizado.&lt;br /&gt;Eu gostaria que houvesse  algum adjetivo além de péssimo. Só para falar do que mais irrita. Vivi esta cena várias vezes. Entro em um banco, fico na fila. Espero, espero. Faço o cheque para pagar alguma conta. Caixa:&lt;br /&gt;- O senhor tem conta neste banco?&lt;br /&gt;- Não, mas...&lt;br /&gt;Sou expulsa. Não aceitaram o cheque. É uma desmoralização. Se nem banco aceita, onde é que nós estamos?&lt;br /&gt;Melhor vivem os fantasmas. Porque a esses, tudo se permite. Não enfrentam filas e descontam cheques até de madrugada. Não precisam de CPF nem devem ter RG. Endereço e assinatura, nem se fala.&lt;br /&gt;Difícil, mesmo é estar entre os simples mortais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-5164533682061033263?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/5164533682061033263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=5164533682061033263' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/5164533682061033263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/5164533682061033263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2010/02/cheque-em-xeque.html' title='Cheque em xeque'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-2477525767465456711</id><published>2009-12-09T20:21:00.000-08:00</published><updated>2009-12-09T20:22:59.150-08:00</updated><title type='text'>A glória do desvirginador não é eterna</title><content type='html'>Amor de pica fica? Perguntei a umas meninas que conheço. Fica por um tempo, responderam de bate-ponto; foram unânimes. Então não fica; que tremenda descoberta...Uma premissa rola o abismo: atenção, machos, esqueçam, amor de pica não fica! Merecia uma pesquisa acadêmica a quantidade de equívocos impregnados nas portas dos vestiários masculinos.&lt;br /&gt;Outro equívoco: a glória dos desvirginador masculino.&lt;br /&gt;Só há uma primeira vez na vida de cada um ( algumas são incompletas, dada a complexidade de uma primeira vez), e todos sabem, com exatidão, com quem, onde e quando foi a primeira vez. No entanto, homens e mulheres podem fazer o que bem ao próximo e ser agentes de muitas primeiras vezes, o que é motivo de orgulho para uns. Quem já não teve um amigo que vangloriou, tipo "Fiz bem a três próximas..."&lt;br /&gt;Uma mulher desvirginar um garoto não tem dificuldades e nuanças do inverso: basta ensinar o caminho, dar carinho, acalmar o taradinho e relaxar com o furor do aprendiz. Mas o homem desvirginador, bem, esse se sente o mais homem de todos, amante professor, o número um. Exigem paciência as barreiras himéticas, membrana popularmente conhecida como cabaço.&lt;br /&gt;Existem himens e himens, diferentes quanto à densidade e à elasticidade: alguns rompem com pouco esforço, enquanto outros precisariam de uma cirurgia. E o homem está lá, com seu bisturi firme. procurando o local a ser perfurado, recuando na dor da parceira, investido entre trancos e beijos. Depois, sentem -se responsável pela que desvirginou. Lembra- se dela com frequência: "onde está minha cria?" Pensa em procurá-la para saber se está tudo bem, como um ginecologista de plantão. Conta para os amigos: " Aquela lá, fui eu que pus na vida..." Se acha um ser iluminado, um salvador, um líder, um messias, paizão de vida sexual alheia, o sábio.&lt;br /&gt;No entanto, a edição da revistra &lt;em&gt;Trip&lt;/em&gt; é um banho de água fria. Garotas são perguntadas a respeito das respectivas primeiras vezes. A maioria está segura em apontar que virgindade é um erro. Algums preferem o chavão " Só se deve dar para álguém que você ame..." A que diz "Tem hora certa para perder" provavelmente ainda não perdeu a sua. Mas o que enunciamos se basta na velha e boa "Cada um faz o que quer" . A estudante de artes plásticas diz que a sua primeira vez doeu. A que trabalha em um escritório de computação diz "Foi com 15 anos. Mas foi legal. Não gozei, só senti dor". Tudo parece tão banal, "Mas foi legal", incomparável com o brilho enganoso dos troféus que os homens, com muito orgulho exibem por aí. Foi a segunda revelação bombástica: o desvirginador masculino tem uma importância eventual, nada de "eterno enquanto dure"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-2477525767465456711?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/2477525767465456711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=2477525767465456711' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/2477525767465456711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/2477525767465456711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2009/12/gloria-do-desvirginador-nao-e-eterna.html' title='A glória do desvirginador não é eterna'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-8395097799925711556</id><published>2009-11-10T02:20:00.000-08:00</published><updated>2009-11-10T02:53:21.904-08:00</updated><title type='text'>Seis graus de separação</title><content type='html'>- Deixa eu te perguntar uma coisa: você acha que pode se apaixonar por alguém que não conhece, ou até então nunca viu a sua vida inteira?&lt;br /&gt;Eu pergunto isso por quê; eu vivo no Rio de Janeiro com quase sete milhões de pessoas e eu sempre me perguntei, quem sabe?&lt;br /&gt;A pessoa sentada ao seu lado no metrô pode ser sua alma gêmea. A questão é, neste instante antes de você conhece-lo, ele é um estranho para você...e você para ele.&lt;br /&gt;Estranhos. Nesta cidade, um estranho qualquer pode te inspirar. Você pode passar na frente do mesmo edifício todos os dias, e nunca imaginar que a pessoa que mora ali será sua amiga um dia. Talvez, alguém que precise desesperadamente de um amigo.&lt;br /&gt;É isso que eu acho mais interessante no Rio. Tem pessoas  neste momento no topo do mundo e outras no fundo do poço.&lt;br /&gt;No mesmo dia, você nunca sabe quem pode quem pode conhecer. Talvez, seja alguém tentando limpar a sua a sua bagunça, tão presente quando deveria ser, ou talvez alguém  vivendo a vida totalmente abandonada , alguém tentando se perder totalmente.&lt;br /&gt;Mas, somos forçados a ficar juntos, diariamente e a única coisa que nos separa é a chance. Sina talvez.&lt;br /&gt;Você passa pela a vida, junto com os seus sacrifícios diários, aí você pensa que está sozinho, mas não está.&lt;br /&gt;Sete milhões de pessoas nesta cidade e qualquer um deles, qualquer um, a qualquer hora pode entrar na sua vida e muda-la. Pra sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-8395097799925711556?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/8395097799925711556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=8395097799925711556' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/8395097799925711556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/8395097799925711556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2009/11/seis-graus-de-separacao.html' title='Seis graus de separação'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-836231327813934626</id><published>2009-09-25T11:58:00.000-07:00</published><updated>2009-09-25T13:10:24.271-07:00</updated><title type='text'>Torturas domésticas</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Acordo de madrugada com um som irritante de torneira pingando. A cozinha fica longe do meu quarto, mas meus ouvidos adoram mostrar que funcionam. Levanto. Tento fechar. Sai mais água ainda. Enrolo um pano de prato. Embora tudo esteja bem pior, mas pelo menos posso dormir. A cascata faz menos ruído que o pingo. De manhã, inicio a romaria em busca de um encanador. Tento por telefone, aproveitando um cartão que deixaram dentro da lista telefôncica.&lt;br /&gt;- Alô, é do encanador?&lt;br /&gt;Ouço um gritinho infantil:&lt;br /&gt;- Alô, alô!&lt;br /&gt;- Coisinha linda, chama seu pai?&lt;br /&gt;A criança começa a cantar. Finalmente, uma mulher pega o aparelho:&lt;br /&gt;- Ele foi fazer um serviço.&lt;br /&gt;- Posso deixar um recado?&lt;br /&gt;- Liga depois que é melhor.&lt;br /&gt;- Ele foi trabalhar, ou fugiu de casa?&lt;br /&gt;Ela bate o telefone. Rasgo o cartão. Saio a pé. Pergunto nas imediações, e me indicaram uma oficina. Vou até lá. Está aberta, mas há um balcão vazio. Bato palmas. Um rapaz sai de trás de uma cortina. Exponho o meu problema.&lt;br /&gt;- Deve ser a borrachinha - Conclui.&lt;br /&gt;O diagnóstico é sempre o mesmo. A tal da borrachinha parece ser a panacéia dos encanadores. Explico que moro sozinha e que estudo e trabalho. Não poderia ir agora? Recusa - se, como se estivesse tão ocupados quanto um executivo da bolsa. Ligo para o meu chefe:&lt;br /&gt;- Alô, tenho que faltar porque a torneira está pingando.&lt;br /&gt;Desligo antes que me demitam. Aguardo. Vejo todos os programas de televisão vespertinos e o encanador não aparece. Volto no final da tarde. Ele observa, como se nunca tivesse me visto antes. Peço:&lt;br /&gt;- Venha agora.&lt;br /&gt;- Vou amanhã.&lt;br /&gt;Tenho vontade de me ajoelhar, implorar para que conserte minha torneira. À noite, um amigo me ajuda a trocar a borrachinha. Durmo aliviada.&lt;br /&gt;Mas não me conformo. Por que esse tipo de serviço é tão difícil?&lt;br /&gt;Cada vez que preciso de encanadores e eletricistas, passo por um calvário. Uma amiga minha estava tomando banho. O chuveiro começou a pegar fogo. Ela saiu gritando pelada pelo corredor do prédio. O zelador consegiu desligar a chave geral e evitou o desastre. Chamou o eletricista:&lt;br /&gt;- Precisa trocar a fiação&lt;br /&gt;- Do apartamento todo?&lt;br /&gt;- Do prédio. Mas é bom dá um jeito logo no apartamento.&lt;br /&gt;Uma semana depois, novo incêndio. Minha amiga fez um escândalo com o eletricista, mas continua tomando banho frio e está mal falanda entre os vizinhos, de tanto aparecer em público nua e aos berros.&lt;br /&gt;As mulheres sofrem muito mais nesse caso do que as homens. Encanadores e eletricistas acham que elas sabem menos do que um homem e tentam enrolar. Uma amiga quis resolver um entupimento:&lt;br /&gt;O encanador:&lt;br /&gt;- São 50 reais.&lt;br /&gt;- Você nem viu o que é!&lt;br /&gt;- Médico também não cobra consulta antes de saber qual é a doença?&lt;br /&gt;Pior é o tipo que diz, simpático:&lt;br /&gt;- A gente acerta na hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega em casa, enfia um arame para limpar o cano ou aperta a torneira com um a chave de fenda. Retira a rolha com o orgulho de um cirurgião que extripou o apêndice. Depois, cobra o preço do apêndice. Não adianta argumentar. Eles desenvolvem uma técnica infalível. A gente fala, fala e eles ficam parados, impassíveis, sem mover um músculo, com a chave de fenda na mão. Nunca vi ninguém que deixasse de pagar.&lt;br /&gt;Eles talvez possuam uma sociedade secreta, em que revelam seus planos:&lt;br /&gt;- Hoje arrumei uma válvula, mas botei cimento no cano.&lt;br /&gt;- Consertei o chuveiro, mas desencapei três fios. Espere só até ligarem o liquidificador.&lt;br /&gt;Deve ser o que chamam de união de classe. O primeiro conserta, deixando o futuro armado para o próximo. Se não bastasse, esse tipo de trabalho anda cada vez mais caro e difícil. Quando se pensava no futuro, eu via livros, bons restaurantes, uma cerveja gelada. Agora, só enxergo uma chave de fenda. É possível que nem todos nós conquistemos os quinze minutos de fama. Do jeito que as coisas vão, porém, sempre teremos nosso dia de encanador.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-836231327813934626?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/836231327813934626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=836231327813934626' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/836231327813934626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/836231327813934626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2009/09/torturas-domesticas.html' title='Torturas domésticas'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-2508287953087107534</id><published>2009-06-18T18:05:00.001-07:00</published><updated>2010-02-07T14:45:36.603-08:00</updated><title type='text'>Quando eu crescer...</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Muito estra&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;font-size:100%;"&gt;nha é essa vida dos homens. Os coveiros passam a maior parte do tempo megulhados na terra, os mergulhadores no fundo do mar, os aviadores flutuando no espaço, os trapezistas dando cambalhotas no ar, os acessoristas trancados em suas cabines, todos eles subindo e descendo e vendo números. Todo homem tem uma profissão. Quando se é criança se quer uma coisa e quando cresce acaba virando outra. A gente se mata para viver ou vive para se matar?&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;Você aí, confesse no meu ouvido: está mesmo satisfeito com o seu trabalho?&lt;br /&gt;Quem me garante que o dentista é feliz, empurrando a sua broca das oito da manhã às oito da noite, vendo desfilar um punhado de dentes, quase todos furados e estragados?&lt;br /&gt;E o advogado, que tenta equacionar na justiça o drama dos seus clientes e fica sem tempo para cuidar seu próprio? E o médico, que receita remédios para tomar antes ou depois das refeições justamente para garantir as suas? E o bombeiro, que enfrenta o fogo real com uma água fictícia?&lt;br /&gt;E a menina-moça que fica posando o seu sorriso de anú&lt;/span&gt;ncio e não consegue esconder a tristeza dos olhos? E o ator, que fica ensaiando dia e noite um papel que no dia da estréia lhe é ditado pelo ponto? E o ponto, coitado, que passa dia e noite enfiado num buraco? E o crítico de arte, que é obrigado a ver coisas com a disposição prévia de não gostar? E o mecânico, que vive debaixo dos automóveis para ver se um dia consegue deitar por cima? E o violinista da orquesta, que chega em casa com a mão dolorida trazendo uma pequena porcentagem de aplausos? E o maestro, que vive de costas para o público e não tem a chance de ser fotografado de frente? E o gari, que sai a passeio todas as manhãs com uma vassoura debaixo do braço? E a babá, que para namorar precisa de um bebezinho como pretexto? E a telefonista, que chega em casa resmungano números? E o açougueiro, que só tem prazer mesmo na hora do banho? E os presidentes, que só abrem o jornal para ler denúncias e acusações sobre à sua pessoa? E o jornaleiro, que é obrigado a vender notícias em dua de chuva? E o vendedor de guarda-chuva, que passa o tempo torcendo pelo mau tempo? E o tabelião, que não consegue conversar espontaneamente desde mil novecentos e lá vai fumaça do nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo?&lt;br /&gt;Por favor, amigos, não me digam de novo que a pior profissão é a de jornalista (ainda mais metida a engraçadinha): me deixem viver como eu penso que quero, embora quando criança nunca sonhasse que só seria jornalista e engraçadinha quando ficasse grande. Hoje, é exatamente o que eu quero ser quando crescer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-2508287953087107534?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/2508287953087107534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=2508287953087107534' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/2508287953087107534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/2508287953087107534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2009/06/quando-eu-crecer.html' title='Quando eu crescer...'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-626105359284339007</id><published>2009-04-02T17:41:00.000-07:00</published><updated>2010-02-07T14:46:35.461-08:00</updated><title type='text'>Adiantamento do necrológio</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: arial;font-family:lucida grande;font-size:100%;"  &gt;O meu quem faz sou eu, que não sou boba. Detesto a pressa dos jornalistas (apesar de tentar ser uma) que querem fechar a página de um jornal de qualquer maneira e acabam enchendo o espaço com lugares-comum do sentimentalismo. Nada de "coitadinha, era uma boa moça" ou " era tão nova", porque há muitos deixei de ser boa moça e e não sou tão nova assim. Quero que o meu necrológio seja sincero, porque de nada me valerá a vaidade depois que eu morrer - a não ser a vaidade de estar morta. Fui uma má filha, mas isso não quer dizer que meus pais fossem melhores filhos que eu - se fosse eu a mãe. Talvez eu não seja má esposa e acredito que seja porque nunca tive chance de ser, vontade não me falta. Nunca roubei, nunca menti: esses são os meus piores defeitos. Minha grande qualidade é ter todos os outros defeitos. Serei egoísta toda a vida, como todo mundo, mas nunca revelei nada à ninguém, como todo mundo. Passo a vida tentando (tentando) fazer os outros rirem de si mesmos: é possível que agora riem de mim. Sou valente e sou covarde, só tenho medo de mim mesma, o que prova a minha valentia. Nunca amei o próximo como a mim mesma, em compensação nunca ninguém me amou como eu mesma.Tive milhões de complexos e os venci, um por um, com excessão do complexo de morrer: esse morre comigo. Nunca dei nem tomei nada de ninguém, mas faço questão de deixar tudo o que tenho para os que tem menos do que eu. Nunca cobicei homem da próxima: só a da afastada. Jamais vou entender o que é "bem" e o "mal", embora a maioria das pessoas me achasse uma mulher de bem e este é o mal.&lt;br /&gt;Defendo minha vida como posso, mas nunca arrisquei a vida para defendê-la. Nunca me preocupei com dinheiro, pois sempre tive pouco. Acredito mais nos inimigos que nos amigos, porque os amigos nem sempre se preocupam com a gente. Jamais tive um segredo, passei todos adiante. Conquistei poucos homens, alguns com os olhos, outros com os lábios e outros com muitas outras coisas. Tenho pavor de médico, porque eles sempre descobrem as doenças que a gente nem sabia que tinha há muito tempo. Me orgulho de estar vivendo dezenove em apenas nove: infelizmente ainda não me livrei dessa maldita insônia&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-626105359284339007?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/626105359284339007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=626105359284339007' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/626105359284339007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/626105359284339007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2009/04/adiantamento-do-necrologio.html' title='Adiantamento do necrológio'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-5248977670579874649</id><published>2009-03-05T09:37:00.000-08:00</published><updated>2009-03-05T09:38:09.589-08:00</updated><title type='text'>Carnaval na praia</title><content type='html'>Poucas amizades resistem a um carnaval passado na praia. Foi o caso. Eram dois casais, tão íntimos que um era padrinho do outro. O engenheiro e o publicitário jogavam bola desde crianças. A mulher do primeiro, historiadora, falava todos os dias com a do segundo, ceramista. Alugaram juntos uma casa numa ensolarada praia carioca. Foram ao supermercado, encheram o carro de cerveja, macarrão e picanha. O publicitário tinha o mapa, e resolveram sair juntos. No último instante, a surpresa.&lt;br /&gt;- É minha prima psicóloga -  explicou a ceramista. &lt;br /&gt;- Convidei, tudo bem?&lt;br /&gt;A psicóloga sorriu, amigável. O engenheiro pensou:&lt;br /&gt;“E o supermercado? Ela deveria dividir”. Não teve coragem de tocar no assunto. Ninguém tocou. A estrada foi um martírio habitual dos feriados. A custo, na noite fechada, encontraram a casa. A chave não funcionou. Enquanto o marido entrava pelo vitrô da cozinha, a historiadora suspirou.&lt;br /&gt;- Isso aqui é o paraíso.&lt;br /&gt;- Tem borrachudo -  constatou a psicóloga –  Trouxe repelente?&lt;br /&gt;Nos olhos da historiadora, um cintilar de terror: claro que não. Nesse instante, o engenheiro abriu a porta pelo lado de dentro. Entraram animados. A primeira reação foi semelhante à dos convidados do castelo do Conde Drácula – uma perplexidade total com o odor de mofo. O publicitário sorriu:&lt;br /&gt;- É que o sujeito que me alugou é amigo de um amigo meu e só aluga para gente conhecida. Senão deixa fechada&lt;br /&gt;Otimistas, descarregam o carro. O engenheiro pegou uma sacola de cervejas e abriu a geladeira. Um rato pulou de dentro pulou de dentro.&lt;br /&gt;- Ahh – gritou, enquanto as garrafas quebravam no chão.&lt;br /&gt;O publicitário fingiu que achava tudo normal. Como tinha alugado a casa, assumiu o papel de defendê – la de todos os seus defeitos. Sorriu diante da água barrenta das torneiras, do chuveiro quebrado dos dois quartos – não eram três? Até a ceramista reagiu:&lt;br /&gt;- Se eu soubesse, não tinha convidado minha prima.&lt;br /&gt;- Não se preocupe, vou para um hotel -  retrucou a psicóloga.&lt;br /&gt;Houve uma pequena sessão de “deixa disso” e a ofendida ficou na sala.. Duas horas depois, o arrependimento: a psicóloga roncava como um avião, e os outros passaram a noite toda se remexendo nas camas. Na manhã, ela fresca e remoçada.&lt;br /&gt;Roendo os dentes, os dois casais a acompanharam à praia.&lt;br /&gt;Que sol! O engenheiro deitou de bruços na areia e adormeceu. Depois, o publicitário fez um macarrão com vôngole – adorava cozinhar. Serviu o almoço às quatro da tarde. As mulheres em torno da mesa. Mas e o...?&lt;br /&gt;Foi encontrado no sétimo sono, na areia. Bicolor. Nem podia sentar, pois as costas começaram a repuxar no ato. A historiadora o cobriu de creme e ele ficou tão gorduroso quanto uma panqueca. Não faltaram aplausos ao cozinheiro. Encantado, este declarou:&lt;br /&gt;– Agora, uma de vocês lava a louça.&lt;br /&gt;– Pra quê? – indagou a psicóloga . –  Porque somos mulheres?&lt;br /&gt;– Eu cozinhei, vocês lavam.&lt;br /&gt;– Cozinhar para você é um prazer. Nós compartilhamos a sua felicidade ao comer o macarrão.&lt;br /&gt;A historiadora se aliou à tese:&lt;br /&gt;– Se você pedisse, eu teria cozinhado. Não suporto pia.&lt;br /&gt;Rosnando, o publicitário olhou a mulher. Ela se fez de rogada:&lt;br /&gt;– Você sempre tenta impor a sua forma de ver as coisas.&lt;br /&gt;– E você sempre contra mim.&lt;br /&gt;Começou o bate-boca. A ceramista correu para o quarto. O publicitário foi para a pia. De noite, a historiadora, com os braços gordinhos das picadas de mosquitos, abriu uma lata de atum e todos fizeram sanduíche, menos a psicóloga e a ceramista, que acusou:&lt;br /&gt;– Você disse que ia cozinhar.&lt;br /&gt;– Peça para a sua convidada que até agora não pôs a mão no bolso, por sinal. Vou cuidar do meu marido.&lt;br /&gt;Ofendidas, as duas foram a um bar das imediações.&lt;br /&gt;Com as costas em chamas, o engenheiro acusou o publicitário de ter escolhido mal a casa. Discutiram. Às cinco da manhã, quando ouviu uma mulher chegando às gargalhadas, com a psicóloga, entoando uma marchinha, o publicitário partiu, com os pneus cantando, decidido a se desforrar nos blocos de carnaval do Rio. Foi sua sorte. Os outros foram levados para inquérito, por arrombamento e invasão de domicílio.&lt;br /&gt;Estavam na casa errada. Culpa do mapa ou do publicitário?&lt;br /&gt;Não se sabe, pois nunca mais falou com ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-5248977670579874649?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/5248977670579874649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=5248977670579874649' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/5248977670579874649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/5248977670579874649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2009/03/carnaval-na-praia.html' title='Carnaval na praia'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-3352930003786934056</id><published>2009-01-09T16:19:00.000-08:00</published><updated>2009-01-11T09:43:13.568-08:00</updated><title type='text'>Delírios de honestidade</title><content type='html'>Outro dia estava pensando como seria se o mundo se as pessoas fossem realmente honestas. Inclusive no mais prosaico cotidiano. Eu me imagino entrando por uma dessas churrascarias de luxo. Sento – me à mesa e peço um filé bem passado ao garçom. Ele me alerta:&lt;br /&gt;– Não aconselho. O filé hoje está uma sola de sapato.&lt;br /&gt;– Peço o quê?&lt;br /&gt;– Peça licença e vá para outro lugar. Olhe bem o cardápio. Pelo preço de um bife, a senhorita compra mais de um quilo no açougue. Quer jogar dinheiro fora.&lt;br /&gt;Vou para outro e escolho: salmão. O garçom:&lt;br /&gt;– Se a senhorita quiser, eu trago. Mas salmão, salmão, não é. É surubim, alimentado de forma a ficar com a carne rosada. Ainda quer?&lt;br /&gt;– Nesse caso fico com escargots&lt;br /&gt;– Lesmas, quer dizer? Porque não vai catar no jardim?&lt;br /&gt;Ou então entro numa butique de griff . Experimento um jeans, que está apertadinho na bunda. A vendedora aproxima – se:&lt;br /&gt;– Ficou bom? Ah, não ficou bom, não, está apertado e não tenho um número maior.&lt;br /&gt;– Acho que dá...ando fazendo regime.&lt;br /&gt;Pois compre depois de obter algum resultado. Se bem que não sei, não...essa bunda parece coisa consolidada.&lt;br /&gt;– Eu quero o jeans, Eu quero e pronto!&lt;br /&gt;– Não vou deixar que cometa essa loucura. Aliás, falando francamente, o que o senhor viu nesses jeans, que nem cai bem nas suas adiposidades traseiras? Só pode ser a etiqueta.&lt;br /&gt;Minha amiga, ainda acredita em griffes ?&lt;br /&gt;Corro à casa de chocolates e peço um dietético. A mocinha do balcão:&lt;br /&gt;– Confia nessa história de dietéticos? Ou só para calar sua consciência?&lt;br /&gt;– E se eu quiser confiar, estou proibida?&lt;br /&gt;– Pois sabia que engorda. Menos que o chocolate comum mais engorda. E a senhorita não me parece em condições de fazer concessões a doces. Não vou contribuir para o seu auto – engano, jamais poria esse chocolate nas mãos. Vá na feira e peça um jiló.&lt;br /&gt;Resolvo comprar um carro. Passeio pela concessionária, escolho:&lt;br /&gt;– Este vermelho, que tal?&lt;br /&gt;– O motor funde mais dia, menos dia – Alerta o vendedor.&lt;br /&gt;– Parece tão bonitinho...&lt;br /&gt;– Você acha que essa lataria anda sozinha? Já alertei o dono da loja, este carro está péssimo. Fique com aquele.&lt;br /&gt;– Mas é velho e horroroso!&lt;br /&gt;– Pode ser, mas anda. Está decidido, leve aquele. E não discuta!&lt;br /&gt;O embate com a honestidade absoluta também pode ser numa galeria de arte.&lt;br /&gt;– Gostei daquele – aponto o quadro à marchande&lt;br /&gt;– Está precisando de pano de chão?&lt;br /&gt;– Não...é que..bem, posso não entender de arte, mas achei bonitinho.&lt;br /&gt;– Sinceramente, a senhorita não entende mesmo. Isto aqui é um horror. Não vale a tinta que gastou. Está exposto porque o dono na galeria insistiu. Leve aquele, é valorização na certa.&lt;br /&gt;– Aquele? É muito sombrio...eu queria uma coisa mais alegre e...&lt;br /&gt;– Não insista. Sombrio ou não, vou embrulhar. Faça o cheque, é melhor para você.&lt;br /&gt;E numa loja de móveis? Mostro as cadeiras que me interessaram. O decorador:&lt;br /&gt;– É amiga de algum ortopedista?&lt;br /&gt;– Está precisando de um? Posso indicar...&lt;br /&gt;– Você é quem vai precisar. Essas cadeiras vão desmontar na terceira vez que alguém se sentar. Fratura na certa.&lt;br /&gt;– Caras assim e desmontam? Eu devia chamar o Procon.&lt;br /&gt;– Se quiser, eu chamo para a senhorita!&lt;br /&gt;Pior seria alguma perua vaidosa querendo plástica. O cirurgião examina:&lt;br /&gt;– Hum...hum...&lt;br /&gt;– Meu nariz vai ficar bom, doutor?&lt;br /&gt;– Se a senhora se contenta em trocar uma picareta por um parafuso, fica! Agora, se ambiciona uma melhora significativa, o melhor é morrer e reencarnar de novo. Pode ser que tenha mais sorte.&lt;br /&gt;A paciente sai chorando. Eu, que vivo me irritando com vendedores, chego a uma conclusão: quero comprar o jeans que me oprime as adiposidades da bunda, o chocolate que não emagrece e o quadro colorido. Deliciar – me com pequenas fantasias. Feitas as contas, delírios de honestidade podem transformar –se em cruéis pesadelos. Os pequenos enganos abrem as comportas dos pequenos sonhos e adoçam o dia-a-dia, eu só deveria me dar conta de que certas mentiras; não fazem tão mal assim...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-3352930003786934056?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/3352930003786934056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=3352930003786934056' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/3352930003786934056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/3352930003786934056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2009/01/delrios-de-honestidade.html' title='Delírios de honestidade'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-4359928224285010129</id><published>2008-12-30T07:23:00.000-08:00</published><updated>2008-12-30T08:28:17.255-08:00</updated><title type='text'>Calorias e culpas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Tenho horror de engordar. Também é por estética. Já se foi a época em que sonhei ser a versão feminina tupiniquin do Mick Jagger. Sempre fui um pouco vaidosa. Mas, entre um prato de talharin e a silhueta, eu costumo optar pelo primeiro. Sem falar em profiteroles, mousses, coraçõezinhos de frango no espeto, torresminho, patos na laranja, feijoada, capuccinos, cervejinhas, batatinhas fritas e hambúrgueres com bastante ketchup e mostarda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Quem tem boca grande sabe como é que é. Não me arrependo. Durante muito tempo eu a minha barriga até tentamos ser felizes. Mas não resisto mais à maldade humana. Vou fazer regime.&lt;br /&gt;O gordo, seja apenas rechonchudo ou tipo barril - há também o modelo alambique -, é uma vítima do veneno constante, destilado em cada encontro por amigos, parentes, amores. Todos se tornam fiscais do peso. Basta ganhar um quilinho, lá vem alguém com um sorriso pérfido:&lt;br /&gt;- Engordou?&lt;br /&gt;Já pensei muito sobre esse sorriso. Cumplicidade?&lt;br /&gt;Coisa nenhuma. É alegria. A pessoa se compara e acha que está mais magra. Ou que ficarei tão gordo quanto ela. Puro instinto de concorrência. Todos se vigiam. O gordo fiscaliza do gordo. O magro, a todos. Quantas vezes, no momento de garfada em alguma delícia suculenta, ouvi meu companheiro de mesa:&lt;br /&gt;- Isso engorda.&lt;br /&gt;E daí, se engorda? As pessoas ficam felizes com a nossa expressão de culpa, que anula o prazer do quitute sedutor.&lt;br /&gt;Se tivesse a mesma paixão por vigiar assaltantes, o país seria um mar de rosas. Mas a conspiração é contra o gordo.&lt;br /&gt;Se de pessoas rotundas e felizes que, depois de anos sendo atormentadas, se internas em &lt;em&gt;spas&lt;/em&gt;. Para depois, durante a noite, devoram os brotos das samambais da decoração. Há o caso do &lt;em&gt;spa&lt;/em&gt; que prometia massa no cardápio. Ofereceu quatro fios de espaguete aos gordos seduzidos pela propaganda. Nem os gregos imaginam tal suplício.&lt;br /&gt;Uma amiga, rechonchuda foi visitar o Muro das Lamentações em Israel. Um árabe aproximou -se do irmão dela e ofereceu cem camelos pela beldade. Sim, os árabes gostam das gordinhas. E também continuam com o hábito medieval de compra -las em haréns, acreditem ou não. O irmão declinou a oferta, chocado. Minha amiga não conforma até hoje:&lt;br /&gt;- Foi a minha única chance de me tornar um símbolo sexual. Sem parar de comer.&lt;br /&gt;Vendedora de loja, então, é um terror. Basta pedir um jeans e dar o número. Ela faz um falso ar de dúvida:&lt;br /&gt;- Não sei se temos o tamanho.&lt;br /&gt;Admira por instantes a minha expressão de infelicidade e culpa. Depois me atira uma calça ainda mais larga, alegremente.&lt;br /&gt;Mas o pior é quando se começa o regime. Todos esses seres que nos cercam, preocupados com a gordura e bem estar da gente, mudam da água para o vinho:&lt;br /&gt;- Vai um uisquinho aí?&lt;br /&gt;- Obrigada, comecei o regime.&lt;br /&gt;- Um só não engorda.&lt;br /&gt;Todos se unem para gritar, em coro uníssono: - um só, um só...huum!&lt;br /&gt;De repente, cedo a tentação. Uma bala. Um marzipã. Um sorvete. Uma vodka. Um mousse. Um leitão assado. Uma dúzia de quindins. O jeito é fazer regime em segredo. Mais aí vem outro problema. Hoje em dia quem emagrece demais ganha olhar torto. Dia desses, minha mãe comentou assustada sobre a vizinha, idosa senhora de cabelos tingidos de vermelho:&lt;br /&gt;- Está emagrecendo muito. Será que é Aids?&lt;br /&gt;Imaginei a pobre velha vaidosa, comendo uma espiga de milho por dia, para parecer magra, e alvos das fofocas da vizinhança.&lt;br /&gt;Prestes a iniciar o regime, me vejo na obrigação de ficar igualzinha a uma modelo fotográfia. Eu que nunca pensei em aparecer pelada na novela. Só me consola saber que não sou tão gorda assim. Imagino que, para os pesadões, a vigilância é bem pior. E as mulheres? Além de magras, são obrigadas a parecer jovens até dos setenta anos. Os fiscais do peso alheio andam de olho gordo, à espreita. E hoje em dia, só aceitam mesmo a perfeição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-4359928224285010129?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/4359928224285010129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=4359928224285010129' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/4359928224285010129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/4359928224285010129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2008/12/tenho-horror-de-engordar.html' title='Calorias e culpas'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-6699453911618853280</id><published>2008-12-20T10:48:00.000-08:00</published><updated>2008-12-20T10:49:30.658-08:00</updated><title type='text'>Crueldades Natalinas</title><content type='html'>Sinto arrepios quando se aproxima o Natal. Não gosto, admito. Mas meu estômago ronrona só de imaginar as castanhas, as carnes douradinhas e outras delícias da ceia. Mas, francamente, é também uma época que me irrita. Olho em torno e não vejo o tal espírito natalino. Estarei mais míope do que já sou? Não há nada mais distante do que o espírito natalino, por exemplo, que nos estacionamentos de shopping nestes dias. Outro dia fui ao shopping com meu pai. Ficamos cinqüenta minutos rodando. Eis que surge uma vaga! Fomos entrar, pois o carro de trás colou no meu, sem espaço para manobrar, meu pai pediu:&lt;br /&gt;- A senhora pode dar ré?&lt;br /&gt;Ela foi sutil como uma rena:&lt;br /&gt;- Vai que dá, se não conseguir, deixe a vaga para mim.&lt;br /&gt;Respondi, suave tal qual um sino:&lt;br /&gt;- Seu pára choque é de borracha?&lt;br /&gt;Disse e pedi para que meu pai engatasse. Ela fugiu, espavorida. Venci, mas perdi o humor de escolher presentes. Aliás, é justamente nesse item que as pessoas manifestam as pequenas crueldades. Amigo oculto, por exemplo. Todo ano, juro nunca mais participar. Quando vejo, já estou trocando bilhetinhos como uma desvairada. Este ano, recebi propostas indecorosas de uma figura que assinava “Instinto selvagem”. No dia da festa, descobri consternada que o tal “loirinho sexy” não passava de um espinhento colega de classe. Só me vinguei ao revelar, para um bigodudo publicitário, como a ta da “Macaxeira apaixonada” o enlouqueceu durante todo o mês. Todo mundo riu bastante e ganhei uma carteira bem legal por sinal. Tive sorte. Um amigo meu presenteou a amiga secreta, uma secretária, com um pacote de fraldas descartáveis Estranhei. Ele explicou que fora prático: a jovem acabara de ganhar um bebê. Revelei ao distraído que a feliz mamãe era a outra secretária. Respondeu o selvagem:&lt;br /&gt;- Bem...sempre é uma lembrança.&lt;br /&gt;E que lembrança! Nunca vou esquecer o sorriso raivoso da presenteada. Já vi situações parecidas. Tenho uma tia que odeia cozinhar. Seu cardápio se resume a bife com arroz. Certo natal, meu primo a presenteou com um livro de receitas. Centenas delas. Ela pesou o livro nas mãos com lampejos nos olhos. Pensei que ia atirar na cabeça dele. Quando eu era criança, minha mãe pedia:&lt;br /&gt;- Quero presente para mim, não para a casa.&lt;br /&gt;Meu pai concordava, sorridente. E ano após ano recebia batedeiras, jogos de panela, pratos. Um dia ela gemeu:&lt;br /&gt;- Já tenho tudo para a cozinha. Não gastem à toa.&lt;br /&gt;Nós nos cotizamos e demos um aspirador de pó. Jamais esquecerei dos olhos de sofrimento. Mas ela também comete erros. Quando eu tinha 15 anos, passei por uma fase hippie, com roupas multicoloridas. Até hoje ganho saiotes e blusas em cores lancinantes da minha genitora. Para faze –la feliz, digo que gosto. Pior: uso, quando tenho que sair com ela para algum lugar. Outro dia fui confundida com um guarda – sol.&lt;br /&gt;Mas presente que mais me atormenta é o que parece cambalacho. São os que vem disfarçado de coisa chique, embora sejam bem simplesinhos. Um exemplo é ganhar três saches de cetim em uma superembalagem. Atualmente, tem centenas de seguidores capazes de nos convencer de que três saches de cetim são um presente inesquecível. Francamente, é duro receber um pacote glamuroso, que dá impressão de conter um diamante, e descobrir, bem no fundo da caixinha , um vidro de pimenta-do-reino.&lt;br /&gt;Presentes mutáveis, ou os que mais parecem disfarce são uma fonte infindável de desastres. Uma vez fui a uma festa natalina com um amigo meu, secreto. Tudo ia muito bem até que machão da família – um barbudão – ganhou uma bolsinha de strass. Fatalidade do sorteio, digamos. Foi um mal estar. Uma tia se ofereceu: trocaria dois coelhinhos de sabonete que ganhara pela bolsinha. Todos suspiraram, aliviados. Mas o barbudão olhou para a bolsinha longamente, pestanejou e disse:&lt;br /&gt;- Fico com ela, é o destino.&lt;br /&gt;Ninguém entendeu. Nem quis. Correram para trinchar o peru. É por isso que neste natal, resolvi ser romântica. Se não tenho verbas, resta a imaginação. Dar um presente é um instante de felicidade, e é por isso que vou buscar em cada escolha. Porque, afinal de contas, é o momento mais bonito que o espírito natalino tem realmente a oferecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-6699453911618853280?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/6699453911618853280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=6699453911618853280' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/6699453911618853280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/6699453911618853280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2008/12/crueldades-natalinas.html' title='Crueldades Natalinas'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-1039389466022787161</id><published>2008-12-14T20:37:00.001-08:00</published><updated>2008-12-14T20:37:51.716-08:00</updated><title type='text'>A tal da queda</title><content type='html'>Eis me aqui, senhoras e senhores para lhes dissertar a tal da queda.&lt;br /&gt;Tudo havia sido coberto por uma grande massa cinzenta da primavera que tinha sido anunciada há muito tempo atrás. As felicidades diante daquele cinza me tomavam tanto os desejos que, como em uma prece aos céus; uma gota de orvalho pairara na ponta de meu nariz.&lt;br /&gt;A alegria se fez tão completa, que minha mente insistiu em voltar aos tempos de menina e de sentir o vento no rosto por poder correr sem destino, e foi ficando cada vez mais latente; que minhas pernas e meus braços não tinhas mais controle. Corri. Corri até sentir meus dedos murcharem pela velhice d’água, ou até o súbito susto.&lt;br /&gt;Corri, até o fôlego cessar, e quando lhe cessava; corria mais. Os latejos de minha mente reclamavam, gritavam com prisioneiros mortos de fome; mas então eu fazia como os carrascos e não ouvia os murmúrios.&lt;br /&gt;O gosto pelo o que não é permitido é uma espécie de registro em personalidade de tal calmaria quanto a minha. Fitava o chão como aquela que sabia cada pedaço. Mal eu adivinhara que analisaria aquilo mais precisamente.&lt;br /&gt;Ouvia os cães de uma lonjura sem fim, perdendo – os em meu consciente, foi então que a consciência me perdeu.&lt;br /&gt;Meu pequeno corpo frágil, preso à um vestido de pano fino lilás se foi de encontro ao chão. Poderia ouvir, milhares e milhares de vezes a sonora que aquilo me proporcionou. O tempo encurteceu, os latejos não mais haviam e o cheio do corpo quente tomara minhas narinas.&lt;br /&gt;Com os braços rentes a cabeça, me fitou no milharal e das centenas de quedas que havia tomado por lá. Diante de prantos e risos que dava; constatei: havia lavado minha pobre alma ensebada pela nostalgia ali mesmo.&lt;br /&gt;Gargalhei, e hei de gargalhar pelo sangue jorrado, e pela dor insuportável.&lt;br /&gt;Pensei : “um soco, talvez, seria menos doloroso”; mas não. Era a dor do ego; senhoras e senhores. Um soco na minha mente.&lt;br /&gt;Fui entrando em constatação da liberdade que havia me tomado. Com o lindo vestido lilás ensangüentado, os pisantes fora do lugar e o desespero de me ver tombada ao chão, ouço meu irmão ao longe pelos gritos. Ajudou-me a reerguer e me por de pé. Cambaleante.&lt;br /&gt;Nota – se um sorriso de esmera no canto do meu lábio. Era a liberdade, meu caro. O gosto de sangue continuara o mesmo, mas o soco nas idéias; ah! Senhoras e senhores, jamais haveria de ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-1039389466022787161?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/1039389466022787161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=1039389466022787161' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/1039389466022787161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/1039389466022787161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2008/12/tal-da-queda.html' title='A tal da queda'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-3266848396879445943</id><published>2008-12-09T13:28:00.000-08:00</published><updated>2008-12-14T20:36:54.377-08:00</updated><title type='text'>A revolta dos tios</title><content type='html'>Estou eu parada diante de uma loja. Observo atentamente uma blusa de tecido leve: deslizará como uma cortina sobre minhas adiposidades? Ou, perversa, me transformará um bujão de gás ambulante? O manequim de vestido me convida a comprar todo o figurino do Verão. Sendo mais realista do que sou: o que eu desejo não é vestir as roupas, mas me tornar igual ao manequim de vitrine. Suspiro. Sinto – me subitamente rejuvenescida, com direito a usar vestidinho de flanela e lencinho com sapatinho de boneca. Dois garotos se aproximam de mim, sorridentes. Olham para mim. Sorrio de volta, como se fosse colega de escola. Um deles, rapidamente me atira um balde de água fria:&lt;br /&gt;– Tia, que horas são?&lt;br /&gt;Desabo. Mal consigo identificar os ponteiros do relógio. Tia? Fujo, com as orelhas vermelhas de frustração. Nada mais trágico do que ser chamada de tia. A não ser, é claro, por meus adoráveis sobrinhos, que preferem utilizar meu nome de batismo. Tia, francamente, é duro de ouvir. O hábito começou nas escolas maternais de vanguarda.&lt;br /&gt;Lembro como as criancinhas mimosas de alguns anos atrás se sentiam felizes correndo atrás da professora gritando:&lt;br /&gt;– Tia, tia!&lt;br /&gt;Acontece que as tais criancinhas cresceram. Formam a mais nova geração de gatinhas e gatões, decidida a torturar a cidade inteira. Por que mestres não podiam, simplesmente, continuar a serem chamados de professores, como se o título fosse feio?&lt;br /&gt;Há centenas de mulheres modernas que acordam às cinco da manhã para fazer ginástica. Trabalham o dia todo sob uma máscara de maquiagem. Dormem cedo, com um quilômetro de creme revitalizante sobre a pele. Passam o fim de semana no cabeleireiro ou sendo socadas por uma massagista. Aproveita as férias para fazer plástica. Quando pensam que estão lindamente remoçadas, são destruídas na primeira fila do cinema, como no caso de uma representante dessa esforçada geração de descasadas. Veste um fuseau que reforça suas curvas, num juvenil verde - limão. Túnica branca, larga que disfarça o culote. Demorou horas em frente ao espelho, mas parece ter saído do banho. Um garotão a observa, quando ela se aproxima do guichê. Ela corresponde, felina. Ele hesita em se aproximar com um sorriso torto:&lt;br /&gt;– Tia, compra a entrada para mim?&lt;br /&gt;Ela tenta sorrir, mas em um segundo sua pele parece uma pasta de flocos de milho mergulhados no leite. Haja decepção! Na minha infância, tia era solteirona, que não arrumou marido – um horror na província. Hoje não: fala – se em tio e tia com toda a naturalidade, e a gente é obrigada a agir cordialmente, como se fosse um elogio. No mínimo, as solteironas do passado, quando chamadas de tia pela criançada, atiravam baldes de água nos agressores.&lt;br /&gt;Certa vez, uma amiga me disse chocada: Foi com a filha mocinha a uma loja. Segundo conta, o vendedor era o Tom Cruise do balcão. Pois a filha o chamou de tio. A vontade de abandonar a garota no meio da loja batia na sua cabeça feito um martelo e levar o vendedor para a casa. O pior de tudo é que o hábito denuncia a idade, pois só quem é realmente jovem se acostumou a tratar todo mundo desse jeito.&lt;br /&gt;Há uma revolta surda fermentando. Ouvi falar de grupos que pretendem enviarem baixo – assinados às escolas maternais, que continuam se esbaldando com essa didática, sem computar as graves conseqüências sociais. Também há quem prefiro atitudes individuas desgastantes:&lt;br /&gt;– Tio por quê? Não sou seu parente! &amp;shy;– os ativistas respondem.&lt;br /&gt;Pessoalmente, não ando tentando aderir. As palavras ainda não saem redondas da minha boca. Tentar, eu tento.&lt;br /&gt;Outro dia, me atrevi a chamar de tio um bonitão que poderia ser galã de novela das oito.&lt;br /&gt;Ele se vingou, verde de ódio:&lt;br /&gt;– Qual foi, nem?&lt;br /&gt;Já ousei com meu chefe, ao entrar na sala dele depois de uma reunião:&lt;br /&gt;– Tudo legal, tio?&lt;br /&gt;Quase fui demitida. Continuei insistindo. Sei que é impossível vencer a marcha das palavras, por mais irritantes que elas se tornem. Como não consigo perder o vício do café, talvez eu possa me embriagar no meu novo vocabulário. Ninguém estranha se, nos próximos dias me encontre de vestidinho de flanela, lacinho na cabeça tomando café no shopping e cumprimentando certos amigos:&lt;br /&gt;– E aí tio? Tudo jóia? O verão tá uma brasa mora!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-3266848396879445943?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/3266848396879445943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=3266848396879445943' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/3266848396879445943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/3266848396879445943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2008/12/revolta-dos-tios.html' title='A revolta dos tios'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-2987379768248126541</id><published>2008-11-21T20:12:00.000-08:00</published><updated>2008-11-21T20:15:54.617-08:00</updated><title type='text'>Tesão</title><content type='html'>Na falta do que fazer às 01:40 da manhã decido escrever sobre sexo, perguntei – me: de qual sexo? Do masculino? Do feminino? Dos anjos? Do misto? Invertido? Convertido? Oral? Extraconjugal? Qual o nexo dessa pergunta sobre a importância do sexo? Importância?&lt;br /&gt;Em que moeda? Para quem?&lt;br /&gt;    Se cem personalidades ocupadas gastam seu tempo ( que poderia ser dedicado ao próprio) para falando sobre este tema, alguma importância deve ter. Ou serão uns exibidos, querendo mostra sua competência na matéria ou, ao menos, a sua ereção, digo erudição, sobre o assunto? Ou será um sinal do charme das emissoras e editoras em conseguir adesões? Ou ainda, será que sexo é mesmo importante?&lt;br /&gt;    Pra mim, o que é? Tesão, Se é tesão, tem importância de tudo que me dá tesão. Como fazer textos. Jogar tênis ou fescobol( sem trocadilhos, hein lacanianos!). Viajar. Rio no verão, com aquele cheiro de maresia. Asneiras com os amigos. Comer (novamente, viu turma aí em cima!).Beber. Ler. Dançar. Ouvir jazz, rock, MPB, blues, ópera, Beethoven, Mozart, Debussy.&lt;br /&gt;    Praia .Windsurf. Fondue de queijo com Chateaux Margaux e imagina -lo ao pé da lareira em uma noite chuvosa e fria na serra. Correr atrás dos meus sonhos. Também atrás dos meus primos pequenos. Cinema. Computador. Ganhar dinheiro. Gastar dinheiro. Imaginar um futuro namorado brincando de médico comigo, digo, de sexo com ele. Aliás, teria sido esta brincadeira tão boa de imaginar que resolvi utiliza - la de verdade em meu futuro trabalho?&lt;br /&gt;     E por que essas coisas me dão tesão? Uma energia acumulada em algum lugar que se desloca daqui- prali, como sugeriu o velho Freud? Ou o grande barato, pra mim, é a minha própria autoconstrução? O que me identifica, o que reconheço como igual a mim mesmo, me dá prazer consumir ou incorporar. O que é estranho a mim me causa dor, náusea, asco, repulsa, se tento delas me aproximar. Daí a gente procura qual é a minha turma? Qual a minha terra, meu lugar sapato – velho? Qual é a minha cara metade ( ó Plutão)? Qual o meu clube? Quais os meus ideais? Já repararam quanta força a gente faz para alcançar as coisas? E quanto mais difícil, mais gostoso.&lt;br /&gt;    É igual ao próprio sexo: quanto mais fácil ( pago ou em rotina conjugal) menos graça, quanto mais constituído, sonhado, elaborado, fantasiado, inovado, perseguido, mais tesão e mais prazer. Imaginem encontrar aquela gruta que, como sugere a velha maldição árabe, encaixe na medida certinha e que, se encontrada, por isso mesmo, não se consegue mais afastar. Tento essa busca, quanto mais inexorável e cataclísmica escravidão posterior, são puro tesão.&lt;br /&gt;    E como a gente pode medir a importância do sexo por aí?&lt;br /&gt;    Já repararam no cardápio de vídeos pornográficos. Quanta variedade! Quantas perversões? Quanta produção, tempo e dinheiro dispendidos! Se tanto é investido ( e retirado!) é por que o mercado é enorme e com incontáveis segmentos, cada um com sua fantasia comum. E haja grupo e interesses!&lt;br /&gt;     E as estantes de informação sexual, em livrarias. O número de casas de massagens e termas. A oferta de serviços, hoje, até nos classificados. O número de casamentos e descasamentos: cherchez la femme (ou l’homme)! A progressão da Aids: mesmo com riscos fatais, ela não é prevenida porque ele não é evitado, Os apelos publicitários. A ira de algumas seitas religiosas. A freqüência de certas queixas no consultório : “ Olha, eu to com uma certa dificuldade...é difícil explicar...” Pensaram em sexo? Bingo!&lt;br /&gt;    Pode- se viver sem ele? Não sei vocês, mas do meu lado, me desculpem que eu tenho uma coisinha importante pra fazer agora, ou melhor, sonhar, imaginar agora. Você pode adivinhar qual?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-2987379768248126541?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/2987379768248126541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=2987379768248126541' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/2987379768248126541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/2987379768248126541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2008/11/teso.html' title='Tesão'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-676184044754429231</id><published>2008-11-19T17:31:00.000-08:00</published><updated>2008-11-19T17:44:19.584-08:00</updated><title type='text'>Antes idiota</title><content type='html'>Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias. Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos. Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis. Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo uma solteirona infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega. Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.  Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois. Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes idiota que infeliz!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-676184044754429231?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/676184044754429231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=676184044754429231' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/676184044754429231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/676184044754429231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2008/11/antes-idiota.html' title='Antes idiota'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2513359683576287979.post-3245720177791179364</id><published>2008-11-13T15:48:00.000-08:00</published><updated>2008-11-13T15:59:59.068-08:00</updated><title type='text'>Seja um idiota</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? HAHAHAHAHAHA...Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí,o que elas farão se já não têm por que se desesperar?Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não. Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim.Brincar é legal. Entendeu?Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda!Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são:passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2513359683576287979-3245720177791179364?l=desinteresserepentino.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/feeds/3245720177791179364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2513359683576287979&amp;postID=3245720177791179364' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/3245720177791179364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2513359683576287979/posts/default/3245720177791179364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desinteresserepentino.blogspot.com/2008/11/seja-um-idiota.html' title='Seja um idiota'/><author><name>Bertolucci</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07276549934721697840</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_fsiS89Kvi6Q/SRTvUrkfoBI/AAAAAAAAAAM/WA6MDbvDWGQ/S220/13-01-08_1926.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
